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9 motivos para maratonar Alias Grace hoje!

9 motivos para maratonar Alias Grace hoje!

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Alias Grace já estreou carregando um pesado fardo: o de ser, inevitavelmente, comparada à série irmã, The Handmaid’s Tale. Após o enorme sucesso da última exibida pelo serviço de streaming Hulu, que levou 5 Emmys em 2017 e foi bem avaliada pela crítica de todo o mundo, a segunda adaptação televisiva baseada em uma obra de Margaret Atwood não apenas tem suas particularidades, mas faz-se tão necessária quanto a série-irmã.

Selecionamos dez motivos para você maratonar essa minissérie urgentemente e sair indicando ela para todas as amigas e amigos. Dá uma olhada:

É baseada em fatos reais

Alias Grace trata-se da representação de um caso célebre da crônica canadense, descrito com elementos ficcionais por Margareth Atwood, mas que, mesmo sem essa adição já seria curiosamente atrativo: em 1843, a empregada doméstica Grace Marks, então com 16 anos de idade, é acusada de assassinar o fazendeiro Thomas Kinnear e sua governanta Hannah Nancy Montgomery. Durante o julgamento, Grace e James McDermott, outro funcionário da fazenda e também acusado dos crimes, deram versões muito díspares sobre o que teria acontecido. Teria James sido obrigado a participar dos crimes? Teria ela sido persuadida por ele a participar?  O que se sabe desde o primeiro momento é que ele foi enforcado e  ela  condenada à pena perpétua.

Time maravilhoso de mulheres por trás e na frente das câmeras

Originalmente produzida pelo canal americano CBC e transmitida no Brasil pela Netflix, a série tem um poderoso e feminino time por trás de suas história: além da forma de Atwood, que é responsável pela produção da minissérie também é a escritora da obra que serviu de inspiração, a narrativa conta ainda com Sarah Poley como roteirista, Noreen Halpern como produtora, Mary Harron como diretora e Sarah  Margaret Atwood (responsável, também, pela produção), roteirizada por Sarah Polley, produzida por Noreen Halpern dirigida por Mary Harron e protagonizada por Sarah Gadon.

Atuação estonteante

Sarah Gordon, que interpreta Grace, leva a minissérie nas costas com uma atuação impecável. Ao mesmo tempo em que transmite uma áurea angelical com fala mansa e carregada de elementos adocicados transita entre outros estados da personagem passando pela mulher atordoada com lembranças que não são claras e que, por vezes, escapa à si mesma.

Com incontáveis matizes a atriz transmite ao espectador a ambiguidade de uma personagem que aprendeu que a observação é a maior arma que uma prisioneira pode ter e, a partir daí, compreendeu perfeitamente como deve se comportar nas diferentes situações. Não de forma explícita, como uma mulher leviana com problemas de caráter, mas como seu único subterfúgio para sobreviver.

Mistério e ambiguidade

“Como eu posso ser todas essas coisas diferentes ao mesmo tempo?”

Um dos aspectos que torna Alias Grace interessante é não saber se a personagem principal é culpada ou inocente. O tempo todo o espectador é levado à sensações diferentes sobre ela ter planejado e ajudado a executar a morte do fazendeiro Thomas Kinnear e de sua governanta Hannah Nancy Montgomery. E é essa ambiguidade que aguça a curiosidade até o final.

O espectador vê, então que confiar em uma história contada apenas a partir de uma perspectiva será sempre arriscado uma vez que toda narrativa é passível de inclinações e manipulações, não apenas intencionais, mas também por forças das nossas memórias que são naturalmente seletivas ou por conta da maneira como interpretamos de forma singular tudo aquilo o que passamos.

Evidencia a força de uma mulher que, a despeito de tudo, sobreviveu!

Grace aprendeu desde muito nova qual é o lugar da mulher na sociedade em que vive. Viu sua mãe passar por desgraças nas mãos de seu pai, passou, ela mesma, por desgraças e temeu tanto que seus irmãos tivessem que viver num mundo como este que desejou a morte precoce deles. Ao perceber a dificuldade de uma mulher ser tratada para além de apenas uma serviçal (e aqui tanto faz se é em seu próprio lar ou trabalhando para um patrão), Grace identifica o que é necessário para viver naquela situação específica que a vida lhe apresenta. Sua maior arma é simplesmente tornar-se para seu interlocutor tudo o que ele deseja.

A história é contada a partir da perspectiva de Grace

Já estamos cansadas de histórias femininas potentes serem contadas por vozes masculinas e, por consequência, se apresentarem fetichizadas. Em Alias Grace, pelo contrário, é Grace quem narra sua própria jornada ainda que não seja absolutamente certa de todos os acontecimentos, algo que ela mesma deixa claro ao médico Simon Jordan (Edward Holcroft) quando ele inicia sua tentativa de tratamento.

Com pouco episódios, fica evidente que o crime em si é apenas pano de fundo para que a história de Grace seja contada por sua própria boca, uma vez que, nós mulheres, somos interpretadas e sentenciadas por olhares alheios a todo momento.

Temas necessário

Além de trazer à tona o mistério que envolve o crime, a minissérie aborda temas urgentes ainda nos dias de hoje, quase seis décadas depois do ocorrido. As imposições do patriarcado permeiam praticamente todas as situações pelas quais Grace passa e funciona, também, como um dos principais motivos pelos quais tudo chegou ao ponto que chegou.

E não para por aí, temas como o abandono paterno, o aborto, a discriminação latente com imigrantes, o assédio no ambiente do trabalho e em casa e a luta de classes são inseridos no enredo tão naturalmente que faz com que a espectadora e o espectador menos atento sequer perceba suas nuances destrutivas em alguns momentos, mas sinta-se incomodada e incomodado o tempo todo.

Fotografia, direção e trilha sonora impecáveis

Utilizando-se de elementos que não apenas transportam o espectador para a narrativa, mas também para os pensamentos da personagem principal, Alias Grace traz uma construção meticulosamente preocupada com as sensações.

Quando Grace está confinada num ambiente minúsculo, a sensação de sufoco é compartilhada com quem assiste, quando ela grita atordoada, quando ela fala calmamente, quando ela anda livremente por campos, quando está presa dentro de um navio insalubre… tudo conta com fotografia, direção e trilha sonora tão peculiar que é difícil não se prender cada vez mais na narrativa.

Facilmente “maratonável” em um único dia!

Tem um dia do final de semana sem nada pra fazer e tá afim de consumir (e, por vezes, ser consumido) por uma história que vale a pena? Pode inciar a maratona de Alias Grace agora. A minissérie conta com apenas seis episódios de aproximadamente 40 minutos e podem ser facilmente engolidos numa tacada só.

Então corre lá! A minissérie está disponível no catálogo brasileiro da Netflix, prontinha para ser assistida por olhinhos ávidos pela verdade. Mas será que existe uma única verdade?

 

Carolina Maria Jornalista, feminista-esquerdista-bolivariana, cegamente apaixonada por alguns personagens de seriados e sonhadora convicta. Aprendeu com as séries a importância da representatividade e nunca mais quis parar de falar sobre isso.

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