A Grande Mentira, final explicado: Quem enganou quem?

O filme A Grande Mentira, lançado em 2019 e dirigido por Bill Condon, é um thriller de suspense que mistura drama histórico e reviravoltas psicológicas. Com Helen Mirren e Ian McKellen no centro do elenco, ao lado de Russell Tovey, a produção explora temas de vingança, identidade falsa e o peso do passado da Segunda Guerra Mundial. Com duração de 1h50min, o roteiro de Jeffrey Hatcher adapta o romance de Nicholas Searle, criando um jogo de gato e rato cativante. Disponível na Netflix, Amazon Prime Video, HBO Max, Apple TV, Google Play Filmes e YouTube, o filme continua a atrair espectadores que buscam mistérios inteligentes. Se você assistiu e ficou confuso com as camadas de enganos, este artigo desvenda o final de A Grande Mentira. Quem é o verdadeiro golpista? Spoilers inevitáveis: prossiga apenas se já viu o filme!

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Resumo da trama de A Grande Mentira

A Grande Mentira acompanha Roy Courtnay (Ian McKellen), um idoso britânico charmoso que se apresenta como investidor experiente. Ele conhece Betty McLeish (Helen Mirren), uma viúva rica e professora de história aposentada, por meio de um site de namoros online. O que começa como um flerte inocente evolui para uma relação próxima, marcada por jantares, viagens e confidências. Roy, no entanto, esconde um lado sombrio: ele é um golpista profissional que, ao lado do parceiro Vincent (Jim Carter), drena fortunas de vítimas desprevenidas através de esquemas de investimento falsos.

Enquanto Roy planeja roubar os £2 milhões de Betty, ele enfrenta obstáculos. Seu neto, Steven (Russell Tovey), um historiador, descobre que Roy não é quem diz ser. Na verdade, ele é Hans Taub, um tradutor alemão que assumiu a identidade de um oficial britânico morto durante uma caçada a nazistas pós-guerra. Apesar da revelação, Betty parece perdoá-lo e prossegue com o relacionamento. Eles abrem uma conta conjunta, depositando o dinheiro dela – o ápice do golpe de Roy. Mas algo dá errado: ele esquece o teclado necessário para acessar os fundos. Ao retornar à casa de Betty, encontra o lugar vazio. O que se segue é uma série de flashbacks que redefinem toda a narrativa.

O filme usa o suspense para construir tensão gradual. Cenas de Roy ameaçando vítimas anteriores, como empresários russos e ingleses, intercalam com momentos ternos entre ele e Betty. Vincent atua como “banqueiro” falso, facilitando os crimes. A direção de Condon, conhecida por A Bela e a Fera e Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, equilibra o ritmo lento do drama com picos de revelação, destacando o talento de McKellen para papéis ambíguos e o carisma contido de Mirren.

O golpe de Roy: Como ele opera em A Grande Mentira

Roy Courtnay é o arquétipo do golpista carismático. Seu método é simples e eficaz: ele se infiltra na vida das vítimas, constrói confiança e as convence a investir em “oportunidades” de alto rendimento. Com Vincent, ele transfere os fundos para contas ocultas e some. No filme, vemos isso em ação com empresários que perdem tudo, forçando Roy a lidar com retaliações violentas.

Com Betty, o plano é idêntico. Ele a “amolece” com histórias falsas de solidão, fingindo empatia por sua viuvez recente e suposta doença grave. Roy ignora alertas de Vincent sobre o risco, obcecado pela fortuna dela. Mas o filme subverte expectativas: Roy não é apenas um ladrão comum. Sua identidade falsa como Hans Taub adiciona camadas históricas. Durante a guerra, Hans era tutor de inglês para uma família alemã rica. Rejeitado pela irmã mais velha de sua aluna, ele comete um ato hediondo contra a jovem Lilli – o estupro que destrói a família dela, vendida aos nazistas por vingança.

Steven revela isso a Betty, mas ela prossegue. Aqui, o roteiro de Hatcher brilha: o que parece ingenuidade de Betty é, na verdade, cálculo frio. Roy assume que sua identidade exposta não importa, pois o dinheiro já está na conta conjunta. Ele viaja para “ver o filho distante”, mas esquece o teclado. Essa falha humana – um detalhe mundano em meio a mentiras elaboradas – desencadeia o colapso de seu império.

A verdadeira identidade de Betty

O grande twist vem nos flashbacks finais. Betty McLeish não existe. Seu nome real é Lili, a jovem alemã estuprada por Hans Taub décadas antes. Sua família – dona de uma fábrica – foi denunciada aos nazistas por ele, levando à ruína: seu pai se suicida, sua mãe morre de luto, e a irmã é executada. Lili sobrevive, imigra para a Inglaterra e constrói uma vida nova como professora de história, casando-se e tendo um neto verdadeiro, Michael.

Anos depois, Lili descobre que Hans vive como Roy Courtnay. Ela arquiteta o contra-golpe perfeito. Cria um perfil falso online, finge ser viúva rica e doente, e usa Michael como “neto” falso (enquanto o verdadeiro Steven, namorado de Michael, investiga o passado de Roy). Lili permite que Roy avance, sabendo de seus esquemas graças a vigilância discreta. Ela usa as objeções de Vincent para garantir que o plano dele prossiga sem interrupções.

Quando Roy retorna pela casa vazia, Lili o confronta. Em vez de matá-lo, ela o atrai para uma armadilha: entrega-o a duas vítimas anteriores, empresários furiosos com as perdas financeiras. Roy tenta matá-la, mas Lili, mais astuta, o derruba. No hospital, paralisado por um derrame, Roy é cuidado por Vincent – seu único aliado restante. Ele olha para uma parede que simula uma praia, bebendo água como se fosse champanhe, uma ilusão patética de liberdade.

Quem enganou quem? O desfecho e suas implicações

No final, Lili é a grande vencedora. Ela não busca apenas o dinheiro – que recupera integralmente, deixando £100.000 para Roy por “piedade” –, mas justiça poética. Roy, o mestre das mentiras, é enganado por sua própria vítima. O filme inverte o poder: o golpista idoso, outrora manipulador, torna-se dependente e iludido. Vincent, leal mas cínico, representa a solidão do crime.

Essa reviravolta ecoa clássicos como Golpe de Mestre, mas com tom mais sombrio, ancorado na culpa da guerra. Condon usa close-ups intensos para capturar o choque de McKellen, enquanto Mirren transmite fúria contida. O roteiro evita excessos, focando no psicológico: como traumas do Holocausto moldam vinganças tardias.

Críticos elogiaram o filme por sua inteligência, com 63% no Rotten Tomatoes, destacando a química entre os veteranos. Para fãs de suspense, A Grande Mentira questiona: a vingança cura ou perpetua o ciclo de dor? Lili sai livre, mas carregando cicatrizes; Roy, preso em sua mentira final.

Mesmo seis anos após o lançamento, o filme ressoa em tempos de identidades digitais falsas e golpes online. Disponível em múltiplas plataformas, é ideal para maratonas de thrillers. Se o final o deixou pensando, reasseista: as pistas estão lá desde o início, como o sotaque sutil de Roy ou a serenidade excessiva de Betty.

Qual twist mais surpreendeu você? Compartilhe nos comentários. A Grande Mentira prova que as melhores fraudes são as que enganam até o espectador.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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