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Crítica de Na Mira do Perigo: Vale a pena assistir ao filme?

Na Mira do Perigo (2021), dirigido por Robert Lorenz, marca mais uma incursão de Liam Neeson no território dos thrillers de ação. Com um elenco que inclui Jacob Perez e Katheryn Winnick, a produção explora temas de redenção e proteção em uma jornada pela fronteira EUA-México. Disponível em plataformas como Netflix, Amazon Prime Video, Telecine e HBO Max, ou para aluguel na Apple TV, Google Play e YouTube, o longa mistura elementos de suspense, drama e perseguição. Mas será que merece seu tempo em 2025? Nesta análise, dissecamos os acertos e tropeços do filme.

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Premissa previsível em um road movie clássico

A história segue Jim Hanson (Liam Neeson), um ex-atirador da Marinha que vive como fazendeiro na fronteira do Arizona. Endividado e isolado após a morte da esposa, ele descobre um menino mexicano, Miguel (Jacob Perez), fugindo de assassinos do cartel que mataram sua família. Hanson decide proteger o garoto e levá-lo ao tio em Chicago, desencadeando uma perseguição implacável.

O roteiro, escrito por Chris Charles e Robert Lorenz, aposta em uma estrutura de road movie familiar, com paradas em motéis e confrontos esporádicos. A premissa evoca clássicos como Um Estranho no Ninho, mas carece de inovação. A jornada é linear, com reviravoltas mínimas que não surpreendem. Críticos apontam a falta de criatividade, transformando o filme em uma perseguição sem inspiração. Ainda assim, o foco na relação entre Hanson e Miguel adiciona um toque emocional, explorando redenção e a paternidade tardia.

Elenco liderado por um Neeson incansável

Liam Neeson, aos 69 anos na época das filmagens, carrega o filme com sua presença estoica. Seu Hanson é um homem quebrado, cuja expertise em armas surge em momentos de tensão. Neeson equilibra vulnerabilidade e fúria, lembrando papéis em Busca Implacável, mas sem o mesmo vigor físico. Sua performance é o principal atrativo, sustentando o ritmo lento com carisma.

Jacob Perez, como Miguel, traz inocência convincente ao papel, criando uma dinâmica paternal genuína com Neeson. Katheryn Winnick, como a ex-mulher de Hanson, aparece em cenas de flashback que adicionam profundidade emocional, embora seu tempo em tela seja curto. O elenco de antagonistas, incluindo vilões do cartel, é genérico, servindo mais como obstáculos do que personagens memoráveis. Winnick e Perez elevam o material, mas o roteiro não explora suas potencialidades.

Direção sólida, mas sem ousadia

Robert Lorenz, colaborador frequente de Clint Eastwood, dirige com eficiência. Sua abordagem é contida, priorizando paisagens áridas do Sudoeste americano para criar uma atmosfera de isolamento. A cinematografia captura a vastidão do deserto, contrastando com a intimidade das conversas entre Hanson e Miguel. Cenas de ação, como tiroteios e perseguições de carro, são bem coreografadas, sem exageros desnecessários.

No entanto, Lorenz não injeta ousadia ao projeto. O tom oscila entre drama familiar e thriller, sem se comprometer totalmente com nenhum. Diálogos são funcionais, mas carecem de punch, e o pacing arrasta no meio, com paradas que testam a paciência. Para um filme de ação/suspense, faltam picos de adrenalina, tornando-o mais um drama de estrada do que um blockbuster.

Temas de redenção e imigração superficialmente tocados

Na Mira do Perigo aborda redenção através de Hanson, que encontra propósito ao proteger Miguel, ecoando sua perda pessoal. A imigração é um pano de fundo, com o menino representando os perigos da fronteira. No entanto, esses temas são tratados de forma superficial, sem profundidade cultural ou política. O cartel serve como vilão genérico, e a jornada ignora complexidades reais da migração.

Comparado a filmes como Sicario, que mergulha na violência fronteiriça, Na Mira do Perigo opta pela simplicidade. Isso pode agradar quem busca entretenimento leve, mas decepciona quem espera comentário social. A mensagem de empatia é clara, mas previsível, reforçando estereótipos sem inovar.

Comparação com outros trabalhos de Neeson

Neeson tem um histórico de thrillers de ação na meia-idade, de Busca Implacável a O Passageiro. Na Mira do Perigo se alinha a essa fórmula, mas com menos intensidade. Diferente de Não Se Preocupe, Querida, que mistura ação com terror psicológico, este é mais direto, focando na perseguição física. Críticos o veem como uma versão envelhecida de Eastwood em Gran Torino, com Neeson no lugar do ícone.

Entre os piores de Neeson, segundo alguns espectadores, o filme ainda supera produções genéricas como O Comissário de Bordo. Sua aprovação de 38% no Rotten Tomatoes reflete o consenso: funcional, mas esquecível.

Pontos fortes em um pacote mediano

Os acertos incluem a performance de Neeson, que humaniza um protagonista estoico, e as cenas de ação contidas, que evitam exageros. A relação entre Hanson e Miguel é tocante, com momentos de humor sutil que aliviam a tensão. A produção é limpa, com bom uso de locações reais para autenticidade.

Limitações pesam mais: roteiro previsível, vilões unidimensionais e falta de surpresas. O final, embora satisfatório, segue o arco esperado, sem reviravoltas impactantes. Para um thriller de 2021, soa datado, preso a tropos dos anos 2000.

Vale a pena assistir em 2025?

Em 2025, com o revival na Netflix, Na Mira do Perigo atrai fãs de Neeson buscando ação descompromissada. É um filme de 1h47min que entretém sem exigir muito, ideal para uma noite preguiçosa. Se você gosta de road movies com coração, como Pequena Miss Sunshine, pode apreciar o drama familiar.

No entanto, para quem busca inovação ou tensão constante, decepciona. Melhor que alguns flops recentes de Neeson, mas longe de seus melhores. Assista se valoriza o carisma do ator; pule se prefere thrillers mais afiados como John Wick.

Na Mira do Perigo é um thriller mediano que depende do charme de Liam Neeson para sobreviver. Com direção eficiente e temas de redenção tocantes, oferece entretenimento sólido, mas previsível. Em plataformas como Netflix, é uma opção acessível para fãs do gênero. Não redefine o suspense, mas cumpre o básico. Para uma sessão leve, vale o play; para algo memorável, busque alternativas.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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