2017 foi um ano e tanto para os amantes das séries, principalmente para as mulheres como nós, que querem, cada vez mais, se ver representadas em personagens fortes, complexas e independentes.

Fizemos uma lista cheia de acontecimentos sensacionais na esperança de que 2018 venha com ainda mais novidades avassaladoras para nós, mulheres. Confira!

Emmy 2017

big little lies emmy 2017

Antes do Emmy Awards 2017 ir ao ar talvez a gente ainda não tivesse percebido com tanta clareza como 2017 estava/está sendo o ano das mulheres nas produções audiovisuais televisivas. É claro que acompanhamos todos os lançamentos, falamos deles de forma individualizada e sabíamos que as produções focadas nas mulheres tem ganhado cada vez mais destaque, mas nada poderia se comparar à consagração feminina, bem na nossa cara!

Quatro categorias importantes. Quatro premiações para séries que retratam universos femininos:

  • Melhor Série Drama para The Handmaid’s Tale,
  • Melhor Série de Comédia para Veep,
  • Melhor Minissérie para Big Little Lies,
  • Melhor Filme de TV para San Junipero, a delicada e menos perturbadora história de Black Mirror.

Séries poderosas e feministas

The Handmaid's Tale episódios dirigidos mulheres

Não tem pra ninguém: os grandes lançamentos do ano foram séries protagonizadas por mulheres e com pano de fundo questões femininas e feministas. The Handmaid’s Tale, vencedora de quatro categorias do Emmy 2017, incluindo melhor drama e Big Little Lies, que levou na categoria Melhor Minissérie para a TV, lideraram a corrida, mas muitas outras narrativas seriadas com protagonistas maravilhosas deram o pontapé inicial neste ano como Ela Quer Tudo, One Day at a Time, Las Chicas Del Cable, Cara Gente Branca, Anne With an E, Alias Grace e tantas outras!

Claire Underwood vira protagonista de House of Cards

Com as escandalosas acusações de assédio vividas por Hollywood em 2017, quem saiu dando a volta por cima e ganhando um papel mais do que merecido é Claire Underwood (Robin Wright). A esposa de Frank Underwood, vivido por Kevin Spacey, tornou-se, finalmente, protagonista do show que,  convenhamos, já era dela, né?

Lena White

Lena Waithe Emmy

Lena Withe tornou-se a primeira mulher negra a vencer o prêmio de Melhor Roteiro em Série de Comédia. A atriz trouxe à luz (a tela e ao palco) a causa LGBT e a luta negra. Ela mostrou que quando há oportunidade, se brilha. Quando há incentivo, se vai mais longe. Quando lhe dão espaço, existe representatividade. E quando há representatividade, existe esperança para os demais; para o futuro!

Denúncias de assédio

assedios hollywood 2017

2017 dividiu a história da indústria americana cinematográfica após centenas de mulheres denunciarem os assédios sofridos em seus ambientes de trabalho.  Abusos verbais, físico e psicológicos passaram a fazer parte dos noticiários antes apenas preocupados com qual grande marca assinaria os vestidos glamurosos vistos em cerimônias como a entrega do Oscar e do Emmy. Com isso, uma luta até então silenciosa na maioria dos espaços (incluindo a grande mídia) ganhou uma projeção nunca antes vista. Homens como os atores Dustin HoffmanBen Affleck, Kevin Spacey, o produtor Harvey Weinstein e os diretores Brett RatnerJames TobackLars von Trier finalmente passaram a ser vistos não como brilhantes em suas profissões, mas como reprodutores de comportamentos machistas, misóginos e violentos.

Mulheres nas ruas contra Donald Trump

atrizes womens march

A posse de Donald Trump aconteceu em janeiro mas o que brilhou no infinitamente mais neste mês nos Estados Unidos para quem acredita que o mundo pode – e deve! – ser um lugar melhor para [email protected] A resistência à posse de Trump veio em forma de protesto em diversos Estados americanos e contou com reforços de peso. Muitas atrizes, cantoras, apresentadoras e demais personalidades deram seus apoios às manifestações comparecendo na Women’s March (Marcha das Mulheres) como, Amy Schumer, Uzo Abuda (Orange os The New Black), Krysten Ritter (Jessica Jones), Aja Naomi King (How Tp Get Away With Murder), Jane Fonda (Grace and Frankie), Mandy Moore (This Is Us), Caity Lotz (Arrow), Melissa Benoist (Supergirl) e outras.

A marcha marcou um importante momento em que parte dos americanos se levanta para pedir por igualdade de gênero e um tratamento digno às mulheres, negros, LGBTQs e estrangeiros que residem no país

Discurso da Lily Tomlin e da Jane Fonda no Emmy

Lily Tomlin e Jane Fonda, nossas queridas protagonistas de Grace and Frankie, nem precisaram ganhar algum troféu para colocar a boca no trombone. Ao lado da lendária Dolly Parton para uma reunião do elenco de Como Eliminar Seu Chefe, Fonda disse:  “Em 1980, naquele filme, nós nos recusamos a ser controladas por um machista, egoísta, mentiroso, hipócrita, intolerante”. “E em 2017”, completou Lily Tomlin, “ainda nos recusamos a ser controladas por um machista, egoísta, mentiroso, hipócrita, intolerante”. Sem dúvidas, essa foi a menção mais forte feita ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante o evento

Michele, a rainha de Mr. Brau 

Mr. Brau estreou em 2016 na Globo e de lá para cá tem angariado público forte e tido temporadas renovadas a cada ano. Mas se o nome do seriado indica quem seria o dono da narrativa, na prática a história é outra: 2017 consagrou, ainda mais, Michele como tão importante quanto o cantor Brau para série, sendo tratada como parte fundamental de tudo o que acontece. Que delícia que é ver o casal Lázaro Ramos e Taís Araújo nas telinhas cheios de poder. Que 2018 traga ainda mais Michele para as telinhas.

Mulheres negras brilhando!

Ava DuVernay Netflix

Se teve uma coisa que foi quebrada em 2017, foi tabu. E as mulheres negras se encontram no topo desta lista. No Oscar, como bem lembrou a publicação do Mulher no Cinema,  pela primeira vez, três atrizes negras foram indicadas na mesma categoria; Viola Davis tornou-se a primeira atriz negra a receber três indicações ao prêmio; Ava DuVernay, a primeira diretora negra a ser indicada ao Oscar de documentário; e Joi McMillon, a primeira mulher negra indicada na categoria de edição. Ela não levou o Oscar, mas venceu o Independent Spirit Awards, principal premiação do cinema independente americano. Já quando o assunto é Emmy, falamos acima da Lena Withe ter se tornado a primeira mulher negra a ganhar na categoria de roteiro de série de comédia e no Globo de Ouro tivemos Tracee Ellis Ross como a primeira mulher negra a vencer na categoria de atriz de série de comédia desde 1983. Maravilhosas, né?

Dr. Who é mulher pela primeira vez

Doctor Who é a série de ficção científica de maior duração da história e, se há um motivo pelo qual a série continua por aí por seus quase 54 anos, esse motivo é a facilidade com que ela abraça mudanças. De dar ao Doutor a habilidade de mudar sua aparência para que a série não acabasse com a saída de William Hartnell, à incorporar as mudanças da tecnologia a evolução das aparências dos Cybermen, até a aproveitar a viagem do tempo para diferentes doutores se encontrarem. Doctor Who é uma série que abraça cada nova possibilidade que lhe é oferecida, então nada mais justo que depois de mais de 50 anos de homens brancos comandando a Tardis, o poder de regeneração do Doutor fosse colocado em uso para uma mudança mais radical. Finalmente, em sua décima terceira encarnação, fomos presenteados com uma doutora mulher. Muito antes do anúncio de Jodie Whittaker como a Décima Terceira Doutora, Doctor Who já flertava com a ideia de uma mulher assumindo o papel. Sydney Newman, co-criador da série, sugeriu a mudança de gênero à BBC em 1986, quando Doctor Who sofria com audiências baixíssimas.