Sempre que anunciam a adaptação de um livro conhecido em formato de série ou filme, ficamos com um pé lá atrás. Primeiro porque temos a consciência de que é impossível para o roteirista seguir página por página tudo o que acontece na narrativa. Segundo porque já tivemos inúmeras decepções ao ver nas telas o que idealizamos ao ler o livro. Sim, o livro tende a ser bem melhor que o filme (ou a série, no caso). E não pensamos diferente quando a Netflix anunciou uma adaptação de 13 Reasons Why, obra de Jay Asher.

O livro conta a história de Hannah Baker, uma adolescente que cometeu suicídio e resolveu deixar para algumas pessoas fitas em que explica os 13 motivos de ter tirado a própria vida. Tudo isso se passa na visão de Clay Jensen, um garoto que era secretamente apaixonado por Hannah e trabalhava com a ela. Ele também é um dos escolhidos para receber as tais fitas.

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Desde a confirmação da adaptação, muitos estavam ansiosos para ver como tudo aquilo se sairia na tela da TV, do computador, celular ou afins. Então, eis a questão: a primeira vista, a série é melhor que o livro? Tão boa quanto, eu diria.

Em se tratando de atuação, os protagonistas, Hannah e Clay, são vividos pelos atores Katherine Langford e Dylan Minnette. Não conhecia o trabalho dos dois, mas posso lhes garantir que vê-los interpretar os personagens é como lê-los nas páginas do livro. Ambos, além de outros colegas de elenco, retratam a adolescência em sua mais verdadeira forma. Dor. Intensidade. Amores não correspondidos. Bullying. Tudo isso misturado às mais diversas personalidades. Interpretações estas que, unidas a atores mais velhos e veteranos nas telas, trazem uma espécie de aconchego ao telespectador, que não consegue desgrudar os olhos da TV.

Uma das principais mudanças que pode-se notar na adaptação é com relação a ordem dos fatos. Alguns personagens acabam por aparecer antes de outros e cenas que no livro eram detalhadas de forma separada, acabam aparecendo intercaladas. Na minha opinião, esta foi a forma que os roteiristas encontraram para fazer série ser entendida por aqueles que não leram o livro. Também para dar mais dinâmica à narrativa. Funcionou!

Eu destaco também a enorme habilidade com que as cenas se alternam entre passado e presente. Algo bastante usado no livro e muito presente na série.

Em suma, num primeiro momento, eu diria que a série mostrou a que veio desde o primeiro episódio. E aparentemente nada poderá estragar isso. Acredito que possamos esperar mais de Selena Gomez por trás das câmeras do que podíamos ver na frente delas.