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10 séries antigas com representatividade LGBT

10 séries antigas com representatividade LGBT

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O dia 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Nessa mesma data, em 1969, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e drag queens se uniram contra as batidas policiais que ocorriam com frequência no bar Stonewall-Inn, em Nova York. O episódio marcou a história do movimento LGBT, que continua lutando por direitos e visibilidade. Em homenagem à data, durante o mês de junho, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões.

Hoje a gente liga a tv, o computador ou seja lá o que for e pode escolher – de um suposto jeito livre e despretensioso – o que queremos assistir. Hoje a gente liga o aparelho eletrônico e nessa imensidão de conteúdos e formas podemos escolher a quem assistir. Talvez o mais importante. Isso porque hoje estamos diante de uma pluralidade nunca antes vista. Não cabendo discutir as motivações para esse movimento, certo é que hoje temos uma oferta maior de variedade de personagens. É que nem diz o ditado, se Friends tivesse sido filmado nos anos 2010, não seriam necessariamente seis amigos brancos, heterossexuais, da classe média nova-iorquina. Os tempos eram e são outros.

Essa volta toda para dizer que hoje temos certa vantagem por podermos assistir e acompanhar personagens das mais variadas preferências de gênero e de sexualidade. E nem sempre foi assim. Aliás, se hoje achamos que ainda restamos em um número reduzido de representações, há uns dez anos o contingente era menor ainda. Se hoje ainda deparamos com muitas estereotipações, como por exemplo Mitch Pritchett de Modern Family, há uns dez anos as mesmas personagens seriam caricaturas elevadas à enésima potência, como foi o caso de Stanford Blatch de Sex and The City. Reparem que citei duas séries separadas por mais de uma década e tidas como revolucionárias em vários aspectos.

Longe de mim dizer que hoje alcançamos níveis satisfatórios de representação LGBT, colocando no mesmo bolo representações de outras minorias, mas é fato que atualmente estamos alguns passos a frente. De igual maneira, longe de mim achar que importantes inserções de representatividade LGBT são fruto da produção dos últimos dez anos. Não, a gente sabe que não. E é por isso que listamos dez séries dos anos 80, 90 e 2000 que consideramos fundamentais e que trouxeram uma multiplicidade de construção e de abordagem de seus personagens LGBT.

Ah, lembrando que a ordem é meramente cronológica!

Blue Street Hills (1981 – 1987)

Um clássico dos anos 80, Hill Street Blues trouxe, ainda que timidamente, umas das primeiras personagens femininas assumidas lésbicas da televisão, a oficial Kate McBride (Lindsay Crouse).

E.R./Plantão Médico (1994  – 2009)

Antes de Grey’s Anatomy, Private Practice e Chicago MED pararem nossos corações com a medicina e os dramas pessoais dos médicos, o pronto-socorro mais badalado de Chicago abriu suas portas para o drama médico em alta tensão. E por aqueles corredores passaram médicos, médicas, enfermeiros, enfermeiras e inúmeros pacientes LGBT. Mas sem dúvidas, dentre todos, Kerry Weaver (Laura Innes) foi a que mais marcou. Além de ser uma das personagens mais longevas da série, é uma mulher, portadora de uma deficiência física e lésbica. Amada e odiada, temida e admirada. Ocupou várias posições no County General, incluindo a chefia do hospital, mas não se relacionou com quem quis. Por muito tempo manteve sua sexualidade reprimida e isso era uma grande questão na série, a luta que Weaver mantinha consigo mesma e com a sociedade. Mesmo depois de assumir sua sexualidade e de manter um relacionamento sério com a bombeira Sandy Lopez, Weaver ainda teve que lutar para manter a guarda do filho que teve’ com Sandy, Henry, depois que a esposa morreu. E como a gente está falando de representatividade, Kerry ganhou a guarda do filho.

 

Buffy the Vampire Slayer (1997 – 2003)

O terror cult dos anos 90 merece estar aqui por um nome: Willow Rosenberg. A poderosa bruxa e melhor amiga de Buffy começou a série apaixonada pelo melhor amigo, Xander, depois namorou o carinha descolado da escola, Oz, e por algum tempo namorou. Na faculdade, Willow conheceu Tara e as duas se aproximaram por conta do gosto pela magia. E foram se aproximando, se aproximando e pá! Apaixonaram-se e engataram num longo relacionamento. Se fosse outra série da época, eu posso apostar que teriam tratado as descobertas sexuais de Willow como uma “doideira” da faculdade, mas em Buffy não. Em Buffy, com tanto empoderamento arraigado ao texto e à construção das personagens, tinha que ser diferente e uma relação entre duas mulheres foi tratada como de ver ser, com naturalidade.

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Oz (1997 – 2003)

Antes da Netflix vir com Orange is The New Black, na segunda metade da década de 90, a HBO veio com a inovadora Oz, uma série sobre um grupo de presidiários na prisão de segurança máxima Oswald. Violenta, visceral e carnal, a série foi um estrondo pela forma tão viva com a qual abordava suas tramas e seus personagens. Escolhendo não ignorar as relações homoafetivas, a série trouxe o envolvimento sexual e amoroso entre os detentos, com destaque para a relação formada entre Chris Keller e Tobias BEecher.

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Dawson’s Creek (1998 – 2003)

O drama adolescente marcou uma geração e trouxe ao horário nobre da tv aberta norte-americana o primeiro beijo entre dois homens, os adolescentes Jack e Ethan na season finale da terceira temporada. Foi um breve momento, mas não deixou de ser um marco. Inclusive, a sexualidade de Jack foi um dos grandes temas da segunda temporada, quando ele assumiu ser homossexual.

 

Will & Grace (1998 – 2006)

sitcom talvez seja um dos grandes marcos da representatividade LGBT da televisão ao trazer dois personagens assumidamente homossexuais, Will (Eric McCormack) e Jack (Sean Hayes), livres e solteiros, explorando suas vivências. Além, é claro, de ter Karen (Megan Mullally) e seu espírito livre.

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The Sopranos (1999 – 2007)

Máfia, família e polêmicas. A importância da série para a representatividade LGBT foi a frieza e a seriedade com a qual foi tratada a sexualidade do personagem Vito Stapafore (Joseph R. Gannascoli): ele foi simplesmente assassinado por ser gay.

 

Queer  as Folk (200o – 2005)

Adaptada de uma série britânica homônima, a série narra a vida de cinco homens e duas mulheres homossexuais nas mais diversas situações, sejam elas comuns do dia-a-dia ou configurem elas momentos de engajamento e militância LGBT. Necessária sim ou com certeza?

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Six Feet Under/A Sete Palmos (2001 – 2005)

A quebradora de forninhos da HBO das antigas é outro dos grandes marcos da televisão mundial. Sua importância para a representatividade LGBT ficou por conta do casal formando entre David (Michael C. Hall) e Keith (Mathew St. Patrick). A princípio a sexualidade de David era uma questão que confrontava o tradicionalismo de sua família e isso ainda tinha um peso maior por Keith ser negro. Sem dúvidas, um importante momento da série aconteceu quando os dois se casaram.

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The L World (2004 – 2009)

Uma série dedicada ao universo de lésbicas, bissexuais e trans carregada de empoderamento. Quer mais importante do que isso?

“Você merece  ser feliz. Sua felicidade é tão importante quanto a de qualquer outra pessoa.”

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[Já acabou, mas vale a pena] The L World e a representatividade lésbica na TV

Uma lista com dez séries muito necessárias para o público LGBT, entretanto é também uma lista que expões uma disparidade étnica enorme. É como se dissessem “tudo bem termos personagens LGBTs, desde que comecemos por brancos e brancas”. É o tal do “socialmente aceitável”.  Pelo menos, eu disse, pelo menos, e com muitas ressalvas, nos últimos anos os personagens LGBTs têm caminhado para a pluralidade.

Melina Galante Produtora e realizadora audiovisual em processo acadêmico. Viciada em redes sociais e numa boa polêmica. Assiste a séries desde antes de se dar conta de que era gente, mas só há alguns anos percebeu que sua extensa grade é dominada por protagonismo feminino.

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